GRUPO DA ESCAPOLITA

Do grego skapos (haste) + lithos (pedra), pelo seu hábito prismático (sin.: wernerita – homenagem a Werner). Forma uma solução sólida entre os termos sódicos e cálcicos, aparecendo as denominações marialita (denominação em homenagem a Marie Rose, esposa do mineralogista alemão G. von Rath, que representa o termo rico em sódio), dipiro(do grego dis (dois) + pyr (fogo), mizonita (do grego meizon - maior) e meionita ( Do grego meion menos, representa o termo rico em cálcio).

Cristalografia: Tetragonal, bipiramidal, com formas predominantes de prismas de primeira e segunda ordens e bipirâmide de primeira ordem, mostrando muito raramente faces da bipirâmide tetragonal. Ocorre como agregado granulares e cristais prismáticos com aparência fibrosa.

Propriedades físicas: dr 2,50-2,78; D 5-6; P.F. 3, fundindo-se com intumescência em um vidro branco vesiculoso e dando cor amarela a chama. Clivagens prismáticas {100} e { 110} imperfeitas. Brilho vítreo. Branca, cinzenta, verde-pálido e mais raramente azulada ou avermelhada. Transparente a translúcida; às vezes fluorescente. Uniaxial negativo com w 1,540-1,564, e 1,46-1,600, d  0,005-0,038. Os índices de refração, a birrefringência e a densidade aumentam proporcionalmente ao aumento do teor de cálcio.

Propriedades diagnósticas: As espécies ricas em Na são quase insolúveis em HCl e as ricas em Ca decompõem-se em HCl, sem formar geléia. Caracteriza-se por seus cristais com seção quadrada e quatro direções de clivagem a 450, aparência fibrosa, caráter uniaxial negativo.

Gênese: metamórfica e metassomática. A escapolita ocorre numa extensa gama de rochas que sofreram metamorfismo regional e/ou metassomatismo e as variedades mais ricas em Ca encontram-se em especial em rochas de grau de metamorfismo médio a alto, tais como anfibolitos, gnaisses e granulitos. As variedades mais ricas em Na são normalmente de menores temperaturas e ocorrem em metabasaltos e anfibolitos.

Ocorrências: Como bonitos cristais nos estados do Espírito Santo, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, e como constituinte de rochas em anfibolitos e gnaisses da região de Caconde-Graxupé (SP-MG) e em muitas outras localidades brasileiras.

Usos: As variedade coloridas e transparentes podem ser usadas como gema.

©Fábio Braz Machado