ANFIBÓLIOS

ortoanfibólios clinoanfibólios
antofilita actinolita hornblenda
gedrita arfvedsonita pargasita
holmquistita cummingtonita richterita

anfibolóides

glaucofânio riebeckita
astrofilita grunerita tremolita

Grupo de importância similar à dos piroxênios, que ocorre em diversos tipos de rochas ígneas e principalmente nas metamórficas de temperatura média a alta, sendo que alguns tipos aparecem em condições de temperaturas baixas em rochas de natureza básica e/ou cálcio-silicática. A polimerização em fios duplos resulta no radical [Si4O11(OH)]7- ou [Si8O22 (OH)2]14-, sendo que os fios duplos estão unidos pore cátions dispostos intersticialmente resultando na fórmula geral AmXnYo/Z8O22(OH)2, todavia, como a posição A, raramente é ocupada, a formula geral também é escrita da seguinte maneira: X2-3Y5Z8O22(OH)2, onde a posição A é preenchida por cátions grandes (com cerca de 1,3 A de raio), em coordenação 12 com o oxigênio dos vértices dos tetraedros, representados principalmente pelo K, Ba e Rb; a posição X é ocupada por cátions grandes (cerca de 1 A de raio), em coordenação 8 (cúbica) com o oxigênio, representados principalmente por Ca, Na e mais raramente o K; a posição Y por cátions com dimensões de raios iônicos ao redor de 0,7 A (Mg, Fe2+, Fe3+, Al, Mn, Ti, Li, Mn3+, Cr, etc.), resultando em coordenação 6 (octaédrica) com o oxigênio ; a posição Z, por cátions pequenos em coordenação tetraédrica com o oxigênio gerando o radical da estruturação dos silicatos,"m", "n" e "o" correspondem ao número de elementos na formula química. Essa família mineral apresenta excelente paralelismo com a dos piroxênios, sendo que em ambas a polimerização orienta-se paralelamente à clivagem e ao eixo cristalográfico c. Como nos piroxênios, pode ocorrer substituição completa entre o Na e o Ca, e entre o Mg , o Fe, e o Mn2+. Ocorre também substituição limitada entre o Fe3+ e o Al e entre o Ti e outros íons do tipo Y, e substituição parcial do Si por Al, na posição do tipo Z dentro das cadeias duplas, de acordo com o exigido pelo princípio da neutralidade elétrica, ocorrendo a compensação de valência. A substituição do (OH) pelo F e pelo O na posição da hidroxila também é comum. Estas substituições geram um grande número de variedades, dentre as quais a hornblenda possui o campo mais amplo de variação, resultando em uma formula bastante complexa para esta variedade.

Os inossilicatos de cadeia dupla, a exemplo dos piroxênios, originam três subgrupos ou três variedades, uma cristalizada no sistema ortorrômbico, designada ortoanfibólios, outra no sistema monoclínico, denominada clinoanfibólios e a terceira no sistema triclínico, denominada anfibolóides ou minerais correlatos aos anfibólios. Nos ortoanfibólios os tetraedros ordenados em fios duplos são unidos apenas por cátions de dimensões em coordenação 6 com o oxigênio, resultando em uma simetria ortorrômbica; enquanto que nos clinoanfibólios, no grupo da cummingtonita-grunerita-dannemorita-hupfferita-tirodita, também apenas a posição Y está ocupada; todavia, na maioria das variedades estão ocupadas as posições Y e C, e em algumas variedades estão ocupadas todas as posições, ou seja A, X, Y.

A exemplo dos piroxênios, os anfibólios, exibem algumas variedades dimórficas, com membros ortorrômbicos e monoclínicos, onde a estrutura dos primeiros podem ser derivadas dos segundos por reflexão em (100) e, em consequência, mostram duplicação da dimensão a0 da cela unitária. Desta forma, surge uma série análoga à da enstatita, denominada de série da antofilita, que é dimorfa da série da cummingtonita, que por sua vez é análoga à série da clinoestatita, dos piroxênios. Os outros clino-anfibólios também encontram analogias com outros piroxênios, a exemplo da: tremolita com o diopsídio, actinolita com hedenbergita, glaucofana com jadeíta, riebeckita com egirina, hornblenda com augita etc.

A junção dos fios resulta em formas (hábitos) prismáticas segundo o eixo cristalográfico C, com clivagem prismática perfeita {11O}, formando ângulos de aproximadamente 560 e 1240; partições {100}, {001} e {010}, e geminações segundo {100}, que nas variedades monoclínicas aumenta a simetria.

A coloração dos anfibólios, a exemplo dos piroxênios, está na dependência do ferro, quanto maior a quantidade desse elemento mais acentuada será a cor verde, chegando ao preto. O sódio, a posição do alumínio, o manganês, o titânio e o cromo também influenciam na variação da cor dos anfibólios.

De um modo geral os anfibólios são gerados em temperaturas inferiores à dos piroxênios e tendem a apresentar formas mais alongadas (prismas e acículas), cores mais escuras e clivagem melhores em relação aos piroxênios.

O maior número de variedades mineralógicas comercializadas como amianto ou asbesto, são deste grupo. O termo asbesto provém do grego asbestos (incombustível, inextinguível, por sua resistência ao fogo), enquanto que o sinônimo amianto é derivado do latim amiantus. Esses termos são nomes comerciais de um grupo heterogêneo de minerais facilmente separáveis em fibras, com composições químicas e estruturas cristalográficas diferentes, usados como isolantes térmicos, acústicos e elétricos, em cimento-amianto, em lonas de freios, roupas antifogo, papel e muitos outros usos. Alguns autores listam mais de 350 minerais com estrutura fibrosa encontrados como minerais essenciais ou acessórios em rochas metamórficas e magmáticas. Os amiantos pertencem a dois grupos de minerais: serpentina representada pela variedade fibrosa denominada de crisotila e os minerais fibrosos do grupo dos anfibólios: antolilita, crocidolita, amosita, tremolita e actinolita.

A classificação dos anfibólios pode ser baseada na composição química ou cristaloquímica, em propriedades óticas e outras propriedades determinativa, a exemplo da difração de Raios X, todavia, as propriedades óticas e principalmente a difração não permitem diferenciar todas as variedades de um mesmo grupo, necessitando normalmente usar mais de um método para a classificação. Atualmente, devido à facilidade de análises químicas por microssonda, a classificação tem-se baseado fundamentalmente na composição química, com auxílio das propriedades óticas para separar os grandes grupos.

Obtendo-se a composição química calcula-se a formula química, com base na formula padrão, que é: A0-1B2C5T8)22(OH,F,Cl)2. Segundo Leake (1978), para o calculo da fórmula química dos anfibólio deve-se seguir o seguinte procedimento:

marcador se o conteúdo de hidroxíla e halogênios for bem estabelecido, ou se existe evidência de que o anfibólio é um oxi-anfibólio, a fórmula será calculada para 24(O,OH,F,Cl);
marcador se o conteúdo de água (+) e halogênios for incerto, a fórmula será calculada sem água (e sem halogênios), sendo a base 23(O), assumindo-se que um O corresponde a 2(OH,F,Cl)
marcador a posição T (8 cátions) será preenchida por Si; sendo este insuficiente o preenchimento será em ordem por Al, Cr3+, Fe3+ e Ti4+;
marcador a posição C (5 cátions) será preenchida pelo excesso de Al, Cr, Ti, Fe3+, passando a seguir a incluir em seqüência o Mg, Fe2+ e o Mn;
marcador a posição B será preenchida pelo excedente de Fe, Mn e Mg e completada por Ca e Na;
marcador a posição A (0-1) é ocupada por K e pelo excesso de Na.

As denominações acima correspondem às posições tetraédrica (T), M1, M2, M3 (C), M4 (B) e A (A), portanto a posição C possui 3 locais de alocação.

Obtida a fórmula-padrão do anfibólio, os clinoanfibólios poderão ser classificados primeiramente em quatro grupos principais com base no número de átomos de (Ca+Na)B e NaB. Cada um desses grupos sera considerado em diagramas binários com o número de átomos de Si e a razão Mg/(Mg+Fe2+), e com campos composicionais definindo denominações. Quando (Ca+Na)B <1,34 será o subgrupo do anfibólio ferro-magnésio-manganesífero; quando (Ca+Na)B > 1,34 e NaB < 0,67, ou seja CaB > 1,34, trata-se do subgrupo do anfibólio cálcico; quando (Ca+Na)B >= 1,34 e 0,67=NaB<1,34, anfibólio sódico-cálcico e quando (NaB>=1,34, o anfibólio será alcalino.

Para a nomenclatura dos anfibólio poderão também ser aplicados prefixos, quando da presença significativa de elementos que não são constituintes normais ou essenciais dos membros. Dessa forma, aparecem denominações de cloro-actinolita, ferri-hornblenda, oxi-hornblenda, etc.

Pelo exposto acima fica claro que as seguintes variáveis são consideradas na classificação dos anfibólios: Si,AlIV,(Ca+Na)B,(Na,K)A,Ca,AlVI,Fe3,Ti,F,Cl,K,Mn,Cr,Zn,Li,Pb,OH,O e Mg/(Mg+Fe2)

Os ortoanfibólios possuem simetria ortorrômbica e é constituída pelas seguintes séries isomórficas: antofilita (magnésio-antofilita, ferro-antofilita e sódio-antofilita), com a fórmula geral [Nax(Mg,Mn,Fe2)7-yAly(Alx+ySi8-x-y)O22(OH,F,Cl)2], onde x+y<1,00, se for maior é gedrita; gedrita (magnésio-gedrita, ferro-gedrita e sodio-gedrita), com a fórmula química padrão [Nax(Mg,Mn,Fe2)7-yAly(Alx+ySi8-x-y)O22(OH,F,Cl)2], onde x+y>=1,00, diferindo da antofilita com base no AlIV total, que sendo maior que 0,99 é gedrita; e pela holmquistita (magnésio-holmquistita, ferro-holmquistita), a qual possui a seguinte formula padrão [Li2(Mg,Fe2)3(Fe3Al)2Si8O22(OH,F,Cl)2], para Li>=1,00, sendo que na formula estrutural esse elemento perfaz cerca de 1,7%.

Os clinoanfibólios reúnem os inossilicatos de cadeia dupla cristalizados no sistema monoclínico e a exemplo dos piroxênios constituem diversas séries isomórficas, onde se destacam as seguintes séries isomórficas: cummingtonita (magnésio-cummingtonita, grunerita, tirodita e dannemorita); clino-holmquistita (magnésio-clinoholmquistita e ferroclino-holmquistita); anfibólios cálcicos (tremolita-actinolita-ferro-actinolita; edenita, ferro-edenita; pargasita, pargasita ferrosa, ferro-pargasita; hastingsita, magnésio-hastingsita, hastingsita magnesiana; alumino-tschermakita, ferro-alumino-tschermakita, ferri-tschermakita, ferro-tschermakita, ferro-ferri-tschermakita; alumino-magnésio-hornblenda, hornblenda actinolítica, hornblenda tremolítica, hornblenda ferro-actinolítica, magnésio-hornblenda, ferro-hornblenda, hornblenda-edenítica, hornblenda ferro-edenítica, hornblenda pargasítica, hornblenda ferro-pargasítica, hornblenda tschermakítica, hornblenda ferro-teschermakítica, alumino-ferro-hornblenda, hornblenda magnésio hastingsítica, hornblenda hastingsitica magnesiana ; kaersutita, ferro-kaersutita); anfibólios sódicos (richterita, ferro-richterita; winchita, ferri-winchita, alumino-wichita, ferro-alumino-winchita, ferro-ferri-winchita; alumino-barroisita, ferro-barroisita, ferro-alumino-barroisita, ferri-barroisita, ferro-ferri-barroisita; cataforita, magnésio-ferri-cataforita, magnésio-alumino-cataforita, ferri-cataforita, alumino-cataforita; ferri-taramita, taramita, magnésio taramita, magnésio-ferri-taramita, alumino taramita, magnésio-alumino-taramita); anfibólios alcalinos (glaucofânio, ferro-glaucofânio, crossita; magnésio-riebeckita, riebeckita; eckermannita, ferro-eckermannita; magnésio-arfvedsonita, arfvedsonita; kuzulita)

©Fábio Braz Machado