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Quanto ao número de direções:

Clivagem em uma direção é o caso das micas, do topázio, da silimanita, etc, (Figura 1), que ao microscópio apresentam uma série de linhas finas e paralelas quando os planos de clivagem são perpendiculares, ou quase perpendiculares ao plano da platina (seções longitudinais), conforme apresentado no caso A da Figura 2. Quando os planos de clivagem são paralelos ao plano da platina (seções basais), verifica-se na borda do mineral uma série de degraus, conforme o caso B da Figura 2.

Figura 1: Modelos óptico-cristalográficos da muscovita (A) que mostra clivagem basal perfeita segundo (001). Em B, é apresentada a clivagem perfeita da sillimanita (B), segundo (010).

                      A                                        B

Cristais de muscovita

Figura 2- Representação esquemática de um cristal de muscovita observada ao microscópio petrográfico, estando em A; com os planos de clivagem paralelos ao plano da platina ou segundo (001); e em B perpendiculares a platina, podendo corresponder as faces (110), (010), etc., conforme pode-se observar no esquema óptico cristalográfico do caso.A. Ao lado, a fotomicrografia do memo mineral, com indicações das seções basais, equivalendo ao caso A, e seções longitudinais, caso B.

Clivagem em duas direções ocorre nos feldspatos, piroxênios, anfibólios. Deve-se observar que em uma seção delgada, nem todos os grãos de um mesmo mineral que possui duas direções de clivagem mostram essas direções. Os piroxênios ou anfibólios, por exemplo, somente mostram as duas direções de clivagem quando são cortados paralelamente à suas seções basais. Em seções longitudinais desses minerais, aparecem somente uma série de linhas paralelas, conforme mostra a Figura 3.

Figura 3: Representação esquemática de anfibólio (hornblenda) e cristais de piroxênio (augita) em seções delgadas. Como mostram os modelos ópticos cristalográficos destes minerais, ambos possuem duas direções de clivagem {110}. Observe que estas duas direções só serão observadas ao microscópio petrográfico quando as seções destes minerais forem paralelas a (001) – seções basais. Quaisquer outras direções exibirão, no máximo, apenas uma direção de clivagem - seções longitudinais.

Deve-se também observar que os ângulos entre as direções de clivagem são característicos de certas espécies minerais. Os piroxênios, por exemplo, possuem duas direções de clivagem que formam um ângulo de 90o {110}, enquanto que os anfibólios, que também possuem duas direções de clivagem segundo {110}, porém que se cruzam formando um ângulo de 120o , conforme pode ser visto na Figura 3.

Clivagem em três direções são normalmente figuras reticuladas, retangulares ou com vértices em forma de cunha. Dentre os tipos de clivagem em três direções têm-se:

Clivagem cúbica : planos de clivagem paralelos às faces do cubo. Ao microscópio, a clivagem cúbica apresenta-se sob a forma de quadrados. Figura 4 (Halita)

Cristais de halita

Figura 4- Clivagem cúbica da Halita em desenho esquemático e fotomicrografia. Para melhor visualização, é apresentado seu modelo óptico – cristalográfico.

Clivagem romboédrica : planos de clivagem paralelos às faces do romboedro. Ao microscópio, a clivagem romboédrica apresenta-se sob a forma de losangos ou figuras reticuladas (em duas direções) com linhas de crescimento paralelas às diagonais, maior e\ou menor das faces externas, conforme mostra a Figura 5.

Monocristal de calcita

Figura 5- Representação esquemática da clivagem romboédrica da calcita, sua fotomicrografia e seu modelo óptico - cristalográfico

Clivagem retangular : semelhante à clivagem cúbica, ou seja em três direções. A clivagem retangular ocorre em minerais do sistema ortorrômbico enquanto que a cúbica no sistema isométrico. Assim, para reconhecer estes dois tipos de clivagem, basta conferir a anistropia do mineral, observando-o à nicóis cruzados. Caso haja extinção permanente com a rotação da platina do microscópio, o mineral que exibe as três direções de clivagem pertence ao sistema isométrico e portanto, a clivagem observada é cúbica. Como exemplo de clivagem retangular, é apresentada a anidrita, na Figura 6.

Figura 6- Clivagem retangular da anidrita segundo as direções (100) (010) e (001), observadas ao microscópio petrográfico e segundo seu modelo óptico - cristalográfico.

Clivagem em quatro direções: Um bom exemplo de clivagem em quatro direções é a fluorita, cujos planos de clivagem são paralelas às faces de um octaedro. Os traços de clivagem da fluorita em seções delgadas tendem a assumir uma forma triangular ou romboédrica. Em amostras de pó, os fragmentos tendem a adquirir formas triangulares, ou irregulares mas com terminação de uma "pirâmide", conforme representado na Figura 7.

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Fragmento de um cristal de fluorita

Figura 7: Clivagem octaédrica da fluorita representada como fragmentos, sua fotomicrografia e seu modelo óptico – cristalográfico.

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