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Cidades Sustentáveis
Desenvolvimento Sustentável
A
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
realizada no Rio de Janeiro em 1992, aprovou a Agenda
21 – documento que estabelece um pacto pela mudança do padrão de
desenvolvimento global para o século XXI, na forma de compromissos que
expressam o desejo de mudança das nações do atual modelo de civilização
para outro em que predomine o equilíbrio ambiental e a justiça social.
Com a Agenda
21 consolida-se a noção de indissociabilidade entre desenvolvimento e
conservação do meio ambiente, que leve à mudança do padrão de crescimento
econômico e, portanto, torne possível a idéia do direito ao desenvolvimento,
especialmente para os países mais pobres e do direito à condições ambientais
adequadas para as futuras gerações.
Os países que assinaram o
documento assumiram o compromisso de incorporar em suas políticas, metas para
atingir o desenvolvimento sustentável. Esse conceito – ainda em construção
– consagrado pelo Relatório Brundtland
(CNUMAD,1991) e firmado na CNUMAD-92 através
da Agenda 21, como “aquele que
satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer
a capacidade das gerações futuras em satisfazerem suas próprias
necessidades”, é alvo de análise e críticas diversas, mas tem sido
incorporado aos debates e estratégias de planejamento e gestão em vários países.
O documento
“Cidades Sustentáveis” (MMA, 2000) elaborado pelo Ministério do Meio
Ambiente em parceria com diversos atores do governo e da sociedade civil, sintetiza
os debates em torno dos subsídios
para elaboração da Agenda 21 Brasileira no que concerne à incorporação da
dimensão ambiental nas políticas urbanas vigentes, como um dos seis temas
centrais destacados no processo: Agricultura sustentável; Cidades Sustentáveis;
Infra-estrutura e Integração Regional; Gestão dos Recursos Naturais; Redução
das Desigualdades Sociais e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável.
Neste
documento são destacadas duas noções-chave que tomam forma a partir do
conceito de desenvolvimento sustentável: sustentabilidade ampliada e
sustentabilidade progressiva. A sustentabilidade ampliada aborda a
sinergia entre as dimensões ambiental, social e econômica do desenvolvimento,
do que decorre a necessidade de se enfrentar conjuntamente a pobreza e a degradação
ambiental; e, a sustentabilidade progressiva, aborda a sustentabilidade
como um processo pragmático de desenvolvimento sustentável, englobando a produção,
a conservação e a inclusão.
Destaca, também,
quatro dimensões básicas do conceito: ética, temporal, social e prática, bem
como indica critérios e vetores de
sustentabilidade, paradigmas e produtos do desenvolvimento sustentável, que
deverão ser progressivamente incorporados pelas esferas pública e privada.
Sustentabilidade urbana
As condições de
sustentabilidade estão definidas pela população, pela tecnologia e pelos padrões
de consumo.
A discussão
sobre meio ambiente passa necessariamente pela questão da sustentabilidade
urbana, se considerarmos o grau de urbanização global, que já passa de 50% e
deve atingir o percentual de 60% até 2025.
No Brasil, a
população que vive em áreas urbanas já ultrapassou o percentual de 75% do
total da população e deverá atingir 85% nos próximos vinte anos.
Esse
crescimento dos centros urbanos tem levado a uma acentuada queda da qualidade de
vida e a um crescimento dos problemas sociais e dos desequilíbrios ambientais,
agravados pelas mudanças estruturais recentes na dinâmica capitalista.
Assim, não
podemos encarar o atual quadro das áreas urbanas como resultado de processos
conjunturais, mas sim buscar formas de administrar os processos sociais que as
produzem e modificam, abandonando a visão das cidades como espaços caóticos.
Isto implica
em trabalhar com os princípios da sustentabilidade incorporados à gestão
urbana, focalizando questões como a redução dos níveis de pobreza; criação
de postos de trabalho; saneamento, educação e saúde; adequação
do uso do solo urbano; controle de poluição; recuperação ambiental;
fontes de energia; violência urbana; proteção do patrimônio histórico e
ambiental.
Cidades Sustentáveis
A
cidade sustentável é um fenômeno em construção, que pressupõe um conjunto
de mudanças e “depende da capacidade de reorganizar os espaços, gerir novas
economias externas, eliminar as deseconomias de aglomeração, melhorar a
qualidade de vida das populações e superar as desigualdades sócio-econômicas
como condição para o crescimento econômico e não como sua conseqüência”.(ALVA,1997)
Depende, também,
da gestão correta dos recursos ambientais da cidade, entre eles os recursos hídricos,
as condições climáticas, o solo, o relevo, a vegetação, pois a deterioração
ambiental das cidades é conseqüência da superexploração de seus recursos
ambientais, da não-observância dos seus limites e da capacidade de suporte do
ambiente às atividades urbanas.
A busca por uma sociedade economicamente viável,
socialmente justa e ambientalmente saudável conduz ao esforço de compreensão
das novas dinâmicas que regem o espaço urbano, que possibilitem a construção
de políticas articuladas cujo objetivo seja a qualidade de vida, a
produtividade, a preservação e a inclusão.
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