Efeito da posição dos recursos, do tamanho do fragmento e da quantidade de habitat sobre a frugivoria em ambientes fragmentados
Ligia Pereira de Souza, Mauro Galetti, Milton Cezar Ribeiro
Universidade Estadual Paulista, Rio Claro (SP).
SemEAr, v.2, n.1, p. 09-13, Set./ 2014.
1. Introdução e objetivos
Os biomas Cerrado e Mata Atlântica são as principais formações vegetais presentes no estado de São Paulo e hotspots de biodiversidade (MITTERMEIER et al., 2005). Contudo, esses biomas estão intensamente fragmentados (SÃO PAULO, 2005; RIBEIRO et al., 2009). Em São Paulo existem cerca de 7.500 fragmentos de Cerrado, dos quais, 71% são menores que 20 ha (SÃO PAULO, 2005), e, na Mata Atlântica, dos 245 mil remanescentes, 83% são menores que 50 ha (RIBEIRO et al., 2009). A fragmentação reduz as manchas de habitats naturais a ilhas remanescentes circundadas por matrizes antrópicas, geralmente, por agricultura, pastagens, silvicultura e ambientes urbanos. Essa redução da vegetação nativa em pequenos fragmentos corresponde a uma grande ameaça à biodiversidade já que limita a capacidade dos fragmentos em reter espécies podendo comprometendo serviços ambientais (TABARELLI et al., 2012).
Diante do atual panorama de perda de biodiversidade, faz-se necessário desenvolver estratégias para mitigar os impactos ambientais suscitados pelas atividades humanas. O estudo das relações entre padrões espaciais e processos ecológicos permite entender como as alterações antrópicas afetam a biodiversidade na escala de paisagem (LINDENMAYER et al., 2008). A perda e fragmentação de habitat, além de outras alterações na paisagem, na maioria das vezes tem efeito negativo sobre a biodiversidade, podendo influenciar processos-chave para a manutenção desta (FAHRIG, 2003), tais como a dispersão de sementes e a polinização (CÔRTES; URIARTE, 2013). A compreensão desses processos-chave pode trazer informações importantes para o manejo de espécies florestais e para a definição de estratégias adequadas para a recuperação de áreas degradadas, já que a manutenção de áreas recuperadas ou manejadas depende das interações animal-planta como frugivoria, polinização, herbivoria e dispersão e predação de sementes (FLEURY, 2003).
Pesquisas envolvendo o uso de frutos para estudar a preferência de aves por determinadas características ou a taxa de frugivoria em determinados ambientes têm apontado o uso de frutos artificiais como uma importante ferramenta para experimentos. Tal método têm possibilitado estudos em ampla escala e o controle de variáveis tais como a cor, o tamanho, a degradação e a disposição dos frutos (ALES-COSTA; LOPES, 2001; GALETTI et al., 2003; JACOMASSA et al., 2009). Também têm sido eficiente para se registrar tentativas de consumo pelas aves (ARRUDA et al., 2008). Alves-Costa e Lopes (2001) encontraram maiores taxas de frugivoria em frutos vermelhos (44,9%) e em frutos pretos (34,2%), resultado também encontrado por Galetti et al. (2003). A relação entre a taxa de frugivoria e a presença de estradas, utilizando frutos artificiais, foi analisada por Soares (2013) que encontrou uma relação positiva entre a riqueza de tipos de bicadas e a distancia entre o fragmento e a estrada.
Dessa forma, o uso de frutos artificiais apresenta-se com elevado potencial para estudos experimentais em que se busca compreender como fatores como o tamanho, a porcentagem de habitat no entorno do fragmento e a posição (i.e. tipos de ambientes: interior, borda e corredor) podem influenciar processos ecológicos considerados chave para a manutenção da biodiversidade.
O presente estudo tem o objetivo de estimar a contribuição relativa da posição no fragmento (interior, borda e corredor), do tamanho do fragmento e da porcentagem de vegetação no entorno sobre a frugivoria.
2. Conclusões
Tanto a posição, quanto o tamanho do fragmento e a porcentagem de vegetação influenciaram o processo de frugivoria. Para manter-se níveis mais adequados de biodiversidade seria indicado manejar a paisagem de forma a aumentar a quantidade de habitat, o tamanho do fragmento e a largura dos corredores, minimizando o efeito de borda. A compreensão de processos ecológicos relacionados às interações animal-planta é essencial para a definição mais eficaz de estratégias de conservação da biodiversidade e de manejo de paisagens. orno sobre a frugivoria.
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