Pesquisas têm demonstrado que a hipertensão arterial está intimamente associada a menor sensibilidade à dor músculo-esquelética (hipalgesia) (Guasti et al., 1999; Fillingim & Maixner, 1996). Considerando que a dor é um mecanismo que indica que algo indesejável esta ocorrendo em nosso organismo, a falta de sensibilidade a ela pode ocultar informações neurofisiológicas importantes. A dor é percebida sempre que qualquer tecido estiver sendo lesado e faz com que o indivíduo reaja para remover o estímulo doloroso. Na prática, uma pessoa é capaz de perceber a dor quando a pele é aquecida a uma temperatura superior a 45 graus. Se persistir e/ou intensificar a agressão os tecidos acometidos são lesados. A intensidade da dor também está intimamente relacionada a intensidade de lesão tecidual a partir de causas outras que não sejam o calor tais como infecções bacteriana, isquemia, contusão, entre outras (Guyton & Hall, 1996).
Estudos com animais demonstraram uma associação de comportamento hipalgésico (menor sensibilidade de dor) para hipertensão arterial. Em um estudo com ratos foi confirmado à inibição de uma função sensória na hipertensão arterial (Randich & Robertson, 1994). Em outro observou-se que um opióide (sistema de analgesia) normalizava o aumento do limiar de dor em ratos hipertensos, sugerindo a implicação de um peptídeo opióide nessa forma de hipalgesia. Em humanos, a redução da percepção de dor pode estar descrita em sujeitos com aumento dos valores de pressão sanguínea e em hipertensos com doença arterial coronária (Rosa et al., 1994; Guasti et al., 1995; Falcone et al., 1997).
Apesar das evidências associando a menor sensibilidade à dor com a hipertensão, no Brasil observa-se uma grande carência de estudos que abordam o assunto. Com isso é de grande necessidade um levantamento que investigue a presença e o nível de percepção de dor em pessoas com e sem pressão arterial elevada.